[:en]Interesting issues emerged in the session Quilombos and maroons of the Americas[:pt]Questões interessantes da sessão Quilombos e maroons das Américas[:]

[:en]The session Quilombos and maroons of the Americas: mirror of differences held at the XXXVIII International Americanistic Studies Congress was very good. The panelists’ contributions were diverse and complementary and shed light on different facets of the matter, with different approach and point of view.

I summarize here some of the most interesting issues emerged in the session. What follows is drawn from the panelists speeches, but it’s my personal re-interpretation and thus it doesn’t express the view or the opinion of the panelists themselves 1.

1) The Brazilian Government stance toward the quilombola issue is insufficient: the pace of the quilombo recognition is too slow, too few quilombo gained the land title from the time where this law was established (three of four paper were about Brazilian quilombo; this point refers to Brasil, while the other one also to maroons in other Latin American countries) 2.

2) The people who recognise themselves as indio, or quilombola, or one of the the different kind of “traditional peoples” (povos tradicionais), do not feel fitting “strictly” in this definition (as the law states and sometime the academic characterization wants). In fact, historically, and even today, there is a circulation between these different categories, and many people think to belong to more than one of these ones. That doesn’t means that these categories are insignificant os specious, but that could be useful, both in the research and in the policies, to take account of the very permeable boundaries, and the intertwining of these sets.

3) The dialogue between research on the contemporary and on the historical quilombo could shed new light in both the fields. This is not true in the most predictable form of cooperation: finding the historical roots of the contemporary quilombo, because in most of the cases the ancient traces of the historical quilombo were wiped out by emargination, displacement, migration. On the contrary, the relation between the two field of research could focus on comparison; indeed, many issues at stake in the ancient quilombo are also present in the contemporary ones, as, for example, the conflict and the intertwining with indigenous people.

4) The relationship between quilombola, on one part, and the black movement, on the other, is a complex one. Most quilombola doesn’t identify themselves with the black movement – or event they aren’t fully aware of it; at the same time, the black movement, although it recognises the quilombola to be part of a common root, it reproaches them the moderation and the non identification to some cultural standards.[:pt]A sessão Quilombos e maroons das Américas: espelho das diferenças, realizada no XXXVII Congresso Internacional de Americanística foi muito interessante. As contribuições dos panelists foram bem diferenciadas e se completaram. Elas coloram em luz diferentes aspectos do assunto, com diferentes enfoques e métodos.

Resumo aqui algumas das questões mais interessantes que se manifestaram durante a sessão. Esses pontos são tirados das falas dos panelist, mas o que segue é uma minha reinterpretação pessoal. Portanto não expressa a opinião ou o ponto de vista dos panelist 3.

1) A atuação do Governo brasileiro com respeito à questão quilombola é insuficiente: o processo de reconhecimento é demais longo, muitos poucos quilombos receberam o titulo da terra do momento isso se tornou lei (três dos quatro paper foram sobre quilombos brasileiros; este ponto refere-se à realidade brasileira, enquanto os outros também aos quilombos dos outros países da América Latina) 4.

2) Os povos que se reconhecem como índio ou quilombola, ou um dos diferentes “povos tradicionais” não sentem de caber estritamente em uma dessas categorias (como definido pela lei e reforçado por alguns pesquisadores). De fato, historicamente e hoje em dia, acontece uma circulação entre estas diferentes categorias e muitas pessoas acham de pertencer a mais de uma dessas. Isso não significa que estas categorias são insignificantes ou forjadas, mas que seria útil, seja nas politicas que na pesquisa, ter em conta os limites permeáveis e o interlaçamento entre estes conjuntos.

3) O dialogo entre a pesquisa sobre quilombos históricos e contemporâneos pode iluminar ambos os campos. Isso não acontece na forma mais obvia, ou seja encontrar as raízes históricas dos quilombos contemporâneos, já que, na maioria das vezes, os rastros dos antigos quilombos foram deletados pela expulsão e as migrações. Pelo contrário, a relação entre os dois campos pode se concentrar na comparação: de fato, muitas questões relevantes para os quilombos históricos as são também para os contemporâneos; é o caso, por exemplo, da relação de conflito e inter-relação com os povos indígenas.

4) A relação entre quilombola e movimento negro é complexa. Boa parte dos quilombolas não se identificam com o movimento negro – ou o conhecem apenas; ao mesmo tempo o movimento negro, apesar de reconhecer os quilombolas as parte de uma raiz comum, não concorda com a “moderação” politica de muitos deles e a não identificação com alguns padrões culturais da tradição afro.[:]

  1. Some or all of the paper presented will be published in the proceedings of the Congress.
  2. The new government, lead by the interim president Michel Temer, will be very likely significantly worse than the previous one. For example, the quilombo matters will be in charge of the Ministry of Culture, with far less relevance than within the Instituto Nacional de Colonizaçao Agraria (the body in charge of the land matters); the Ministry of Culture, José Mendonça Bezerra Filho, belongs to the DEM party, traditionally adverse to quilombola territory recognition. Beside that, the new government abolished the Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Ministry of Women, Racial Equality and Human Rights).
  3. Uma parte ou todos os paper apresentados serão publicados nos anais do Congresso.
  4. O novo governo, chefiado pelo presidente interino Michel Temer, será muito provavelmente pior neste respeito do que os anteriores. Por exemplo, os assuntos quilombolas são de responsabilidade do Ministério da Cultura, tendo menos relevância daquela garantida por ficar na responsabilidade do Instituto Nacional de Colonizaçao Agraria; o ministro da cultura é o José Mendonça Bezerra Filho, do partido DEM, tradicionalmente contrario ao reconhecimento das terras de quilombo. Além disso, o novo governo eliminou o Ministério das Mulheres, da Igualda racial e dos Direitos Humanos.

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