A visit in Prainha to know the “state of the art” of the piracui production

Fisherman with acari. Prainha 2015. Picture by Tamara Saré
Fisherman with acari. Prainha 2015. Picture by Tamara Saré

Since 2008 I have struggled to find ways to support the piracui producers of Prainha, Pará, Brasil. I spent the past August in the Amazon region. So, I decided to visit them. I was absent from the region since 2010 and I wanted to update my information. Beside that, my idea was to record some interviews, in order to tell with the fishermen’s own words their harsh and delicate work.

To organise the visit I counted on my friend Ivonete, who, together with me, is responsible for the piracui in the Slow Food’s Ark of taste. We created a little team, with Revelino e Flodivaldo, da Colônia de Pescadores, Tamara, photographer and friend, Karen, who’s studying at the University of Gastronomic Sciences and, by the way, is my daughter.

We gathered many and high-quality information, and some great testimonies, I’ll try to put in this blog or elsewhere.

I already was, but I’m now more convinced that for the piracui producers is urgent to produce less with the same income. This means that who now produces an hight-quality piracui would continue to do that; who doesn’t, has to increase the quality. And the quality must be appreciated. Only organisation among the fishermen and the right incentives from the local buyers could do that.

This change is not only important for the fishermen livelihood, but also for the environment, since the over-production of piracui is threatening the very base of it, the fish called acari1.

The proble isn’t demand: piracui has a strong, and maybe growing, regional market (Santarém, Manaus, Belém, maybe Fortaleza): nearly 10 tons of piracui leave Prainha every year; as everyone who already prepared some dish with piracui, this is a huge amount!

But in this market there aren’t incentives to promote quality. The producer who makes a good piracui generally receives some extra money from the local buyer, but his piracui is sold to the consumer mixed with low-quality piracui. And the local consumer couldn’t choose between a “good” or “bad” piracui, or even doesn’t know at all there is a “good” and “bad” piracui.

Beside that, though there are some very clear point about “what process makes a good piracui” , many uncertainties remain, above all regarding preservation. And it’s very important that the issue of food safety comes “from below” and not “top-down”. Today, no sanitary control exists; but, sooner or later, something would come. And if that it is put in place in a way that doesn’t take in account the local specificities, many producers will be hit — and maybe some of the best producers. There is in Brazil a very interesting debate about adapting the sanitary rules to small-producers (see a news about that, in Portuguese), but we still have a long way 2.

You’ll find a more detailed account of the outcome of the visit here (text in Portuguese).

I really hope that some actors could become interested in the matter and engage themselves in supporting local people in the way for a more sustainable production of piracui, that could also help to rise the living standards in the region.

The whole team. From left to right: Revelino, Ivonete, Flodivaldo, Luca, Karen e Tamara. Rio Vira Sebo. Prainha, PA, Brasil. 2015 (c) Luca Fanelli
The whole team. From left to right: Revelino, Ivonete, Flodivaldo, Luca, Karen e Tamara. Rio Vira Sebo. Prainha, PA, Brasil. 2015 (c) Luca Fanelli

 

  1. There are other causes for the decline, but the over-catch is one of the more this is probably very relevant.
  2. Also the 2006 FAO/ WHO document Guidance to governments on the application of HACCP in smalland/or less-developed food businesses points in this direction.

Conflict in the Renascer is intensifying and violence grows up


Attacks with fire arms, physical aggressions and  arson of the houses of the local people are recurrent. Since the beginning of the year, local people spread manifestos, denouncing the what it is happening and claiming for state intervention.

Read the full story (in Portuguese) in the Instituto Socioambiental website.

Inhabitants of the Renascer Resex villages settle to prevent the exit of barges full of wood

Sunday, January 3, 2010, 12:52 AM – News
News published in the Instituto Socioambiental web site in December the 21st, 2009.

Since November the 27th, inhabitants of the Renascer Resex villages are settling at the exit of the Tamuataí river, in the municipality of Prainha (Pará, Brazil), near the border of the protected area, in order to prevent the exit of barges full of wood. The village people say that the wood was extracted illegally and explain they are fed up with waiting for the governmental patrolling.
Read the full story in the blog Tamuá.

Inhabitants of the Renascer settle to prevent wood theft

luca fanelli / MAÌS, Pinguela no igarapé Tamuataí, mun. de Prainha (Brasil)

For 20 days until now, 200 people from local villages, try to prevent that the barges full of wood escape from the protected area (Resex Renascer). The wood come from illegal logging, within the protected area, in the municipality of Prainha, Pará, Brazil.

Read the full story on the Socio-Environment Institute website (in Portuguese).

Governo decreta Resex Renascer…

Notícias socioambientais :: Socioambiental

Governo decreta Resex Renascer depois de um ano sem criar novas unidades de conservação

[15/06/2009 10:44]

 

Com extensão de 211.741,37ha, em Prainha, no Pará, a nova Reserva Extrativista soma com as demais criadas anteriormente – Monumento Natural (Mona) do Rio São Francisco (BA/SE/AL), Resex Prainha do Canto Verde (CE) e Resex Cassurubá (BA) –, cerca de 372.000 ha de novas áreas protegidas cuja meta é conciliar o uso tradicional e não predatório com a conservação da biodiversidade e paisagens associadas.

A reivindicação de criação de uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável na região data de mais de seis anos, tendo sido iniciada por um processo aberto pelo Conselho Nacional dos Seringueiros, finalizado pelas lideranças da região, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e pela Colônia de Pescadores de Prainha.O mais recente povoamento da região começou na década de 1920, em decorrência da exploração da borracha, da castanha do pará e da juta; os migrantes consolidaram sua presença desenvolvendo uma rica e profunda relação com o ambiente. Inicialmente, a área que hoje constitui a Resex Renascer, fazia parte da proposta para a criação da Resex Verde para Sempre; porém, ao criar esta em novembro de 2004, com 1.288.720ha, o Governo Federal excluiu a área da atual Renascer, pois a grande extensão da Resex criada deu ainda mais visibilidade à questão, aumentando as pressões contrárias do poder local.No fim de 2006, em um dos últimos atos de seu mandato, Simão Jatene (PSDB), o então governador do Pará, decretou a criação de uma Floresta Estadual sobreposta à área requerida para Resex. O ato, entretanto, foi impedido por uma liminar de 2006 confirmada pelo Ministério Público Federal em meados de 2007, que argumentara que tal criação seria um ataque ao modo de vida das populações tradicionais da região, privilegiando um modelo de exploração predatório da floresta amazônica.A consulta pública de apresentação dos estudos técnicos para criação da Resex Renascer, último ato administrativo necessário para sua criação, ocorreu em dezembro de 2007 e desde maio de 2008 o processo estava parado na Casa Civil – onde também adormece em profundo sono o processo de criação da Resex Baixo Rio Branco Jauaperi(RR), de 2001. A Resex Renascer situa-se na área de influência da BR-163, sendo alvo de dinâmicas de ocupação que ocorrem simultaneamente em todo o oeste paraense. Assim, além do interesse minerário na região sul da Resex, a grande demora na criação deve-se às pressões do setor madeireiro, que opera ilegitimamente na região desde 2000. Tal setor priva a população local de valioso recurso econômico, prejudicando os ecossistemas fluviais, ameaçando a população local e, de fato, polarizando e radicalizando o antigo e latente conflito entre os extrativistas e a classe de grandes pecuaristas locais.O Estudo Socioeconômico da Área Proposta para Criação da Reserva Extrativista Renascer (Prainha / PA), propôs, para criação da Resex Renascer, extensão próxima do dobro com que esta foi criada: 414.274 ha. Essa redução entre a área criada e a reivindicada pelos extrativistas fez com que estes perdessem espaços tidos como essenciais para as atividades econômicas locais, como a várzea na margem direita do rio Amazonas, de extrema importância para a manutenção da biodiversidade, das relações sociais e econômicas dos extrativistas – e um vasto trecho ao sul, de grande riqueza de recursos florestais. A delimitação da Resex excluiu também 1.766 ha no noroeste da área, de ocupação consolidada por fazendas.Diante disso, além de tudo o que foi mencionado, a relativa exclusão do município das políticas públicas e também da ação de instituições não governamentais traz um grande desafio à população: organizar-se localmente e continuar a desenvolver suas habilidades para produzir alimentos de qualidade (piracui, mel de abelha nativa, beijus) e artesanato.

Por meio de decreto publicado Diário Oficial de 8 de junho passado, o Presidente Lula criou, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a Reserva Extrativista Renascer. Situada na bacia hidrográfica do Xingu e predominantemente formada por uma tipologia fitofisionômica definida como Floresta Ombrófila Densa, a área da Resex Renascer foi identificada, no processo de “Atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”(Ministério do Meio Ambiente – MMA 2006), como sendo de muito alta importância para a conservação. O Estudo Ambiental necessário, conjuntamente com o Socioeconômico, para a caracterização socioambiental, o reconhecimento da comunidade interessada como população tradicional e a legitimação de seu uso do território, realizado em 2005, identificou como algumas das espécies presentes, a castanheira (de grande abundância na região), o angelim-vermelho, a muiracatiara, a maçaranduba, o mogno, o cedro, maparajuba, o açaí e o buriti. Da grande variedade de peixes, o pirarucu, o tambaqui e o surubim são alguns dos mais importantes na alimentação dos moradores. Dentre os mamíferos, listam-se mais de 43 espécies, sendo que seis constam na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção (MMA IN 03/2003): tatu-canastra(Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), gato-maracajá (Leopardus wiedii), onça-pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura brasiliensis) e peixe-boi (Trichechus inunguis).

Em parte, essas reduções foram criadas devido aos compromissos com os interesses políticos locais, com os médios e grandes pecuaristas da região e, ainda, com as empresas madeireiras, provocando, ao longo dos anos, esses “recortes” crescentes da área original. Todas as exclusões fazem parte do mesmo complexo ecológico e também integravam a área de ‘muito alta importância para a conservação’ (identificada pelo MMA em 2006), sendo que seu uso diferenciado e predatório pode fragilizar a integridade ecológica e a sustentabilidade econômica da região.

ISA,
Silvia de Melo Futada e Luca Fanelli (colaborador MAIS/ISA).