Contribuições à elaboração de projeto sobre agrofloresta

R: [rede_apa] Projeto APA 2010-2011

Caras/os,

Gostaria de contribuir também um pouco com o debate sobre o projeto da
chamada 33 do CNPq.

Sendo novo desta mailing list, me apresento brevemente: trabalho desde o
2004 no Brasil (antes no Baixo-Amazonas, Pará, agora em S. Paulo),
gerenciando projetos (elaboração, monitoramento e avaliação) e realizando
capacitações e estudos de viabilidade econômica, social e ambiental para
pequenos empreendimentos solidários. Se tivesse um jeito para conhecer um
pouco os outros integrantes da lista, seria muito feliz.

As chamadas mais apropriadas para o desenho de projeto que até agora
enxergo, são a 1 (Projetos de Pesquisa em Experiências Inovadoras no Ensino,
Aprendizagem e Intervenção em Extensão Rural, no âmbito da Agricultura e
Familiar em consonância com a Política Nacional de Ater) e 2 (Projetos de
inovação tecnológica que desenvolvam ações de experimentação, validação e
disponibilização de tecnologias apropriadas à agricultura familiar, as
propostas deverão promover a participação dos agricultores e agricultoras
familiares e a sustentabilidade de seus sistemas de produção…).

Depende um pouco de como se entende a “inovação tecnológica”: em sentido
amplo – portanto a “tecnologia social” faz parte – ou em sentido restrito,
mais técnico, mas a 2 seria a mais apropriada, na minha avaliação, pelos
objetivos que até agora foram apresentados.

Observação importante: a chamada 1 e 2 necessitam de um caráter
inter-estadual (cf. pontos II.2.1.3.2 e II.2.2.3.3).

Na linha do que foi falado até agora, acredito que o foco do projeto pode
ser “fortalecimento de relações justas produtores – consumidores, tendo como
protagonista os jovens”, tendo como objetivo/ meio o fortalecimento das
articulações estaduais (envolvendo duas, não mais) e da articulação
regional.

As principais ações poderiam ser:
a) o mapeamento;
b) capacitação de agentes comunitários de venda.

Algumas observações sobre estes dois pontos:
Mapeamento. Eu também fico um pouco preocupado com a presencia de vários
mapeamentos; eles são realizados, colocados na Internet, mas raramente
conseguem ter uma continuidade; portanto, muitas vezes as informações não
são completas, ou não são atualizadas. O mapeamento relacionado à este
projeto deveria ser um mapeamento temático, voltado aos produtos (ou seja,
uma plataforma de encontro entre oferta e demanda). Uma plataforma deste
tipo existe já, é o “Farejador da Economia Solidária”
(http://www.fbes.org.br); não sei porém quanto seja atualizado. Outra página
com este intuito está no site da Rede Ecovida, mas eu tentei e não encontrei
nada. No site www.prefiraorganicos.com.br S. Paulo não está presente, RJ com
41 pontos de venda de orgânicos, MG – ausente, ES – ausente; isto deve ser
um problema temporário, sendo que está começando a ser implementado; porém,
não dá para saber quais produtos estão presentes. Finalmente, o nosso
querido www.agroecologiaemrede.org.br, tem objetivo diferenciado, que é
mapear experiências agroecologicas, mas, evidentemente, é uma fonte
importante neste sentido.

Capacitação de agentes comunitários de venda. É basicamente a idéia de
capacitar jovens das comunidades para oferecer os produtos da comunidade nos
mercados locais.

Gostaria de concluir dizendo que o Convivium de Slow Food de S. Paulo
(http://www.slowfoodbrasil.com/) pode ter interesse em envolver a sua rede
de chefs de restaurantes nestas relações oferta – demanda.

Infelizmente não poderá estar no encontro do 11/11, mas, no que for
possível, posso contribuir na elaboração da proposta.

Por enquanto é tudo.
Abraços,
luca

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=> visite www.lucafanelli.net <=
luca fanelli
cell +55 11 8689 9196
email luca.fanelli@…
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Impactos de APs e impactos de assentamentos rurais – Análise de Impactos Sociais de Áreas Protegidas

I’ve just posted that in the Análise de Impactos Sociais de Áreas Protegidas blog.

Impactos de APs e impactos de assentamentos rurais

Gostaria de parabenizar as organizações promotoras da iniciativa, pelo alto nível do debate. Achei o trabalho da Eliane muito rico e profundo, requerendo uma leitura bastante atenta.

A riqueza dos enfoques apresentados neste estudo, assim como as linhas teórico/práticas levantadas na “Oficina preliminar” poderiam sugerir cautela em apresentar um ulterior ponto de vista.

Porém, acredito que algo de interessante poderia se achar em uma linha de pesquisa, bem brasileira, que, a partir do final da década passada, se debruça sobre impactos dos assentamentos rurais. Estes últimos são, sem sombra de dúvidas, algo de bem diferente das áreas protegidas (apesar do que, administrativamente, as duas entidades às vezes se sobrepõem). Porém, ambos põem a questão da (re)-criação de um universo social, na dialética entre ação da população e do Estado, na relação recíproca e na relação com os mediadores.

Um outro ponto crítico bem interessante que ambos compartilham é que «a trajetoria dos projetos […] sempre recolo[ca] a questão da legitimidade deste tipo de intervenção» no quadro da sociedade como um todo (Medeiros, Leite, 2004, p. 19).

A partir deste mesmo estudo, síntese de uma pesquisa que significativamente chamava-se Os impactos regionais dos assentamentos rurais: dimensões econômicas, políticas e sociais, podemos, ao meu ver, trazer algumas sugestões que, mesmo não tendo aplicação diretas na criação de um delineamento de princípios e diretrizes teóricas e metodológicas para uma “análise dos impactos sociais” das APs, pode fomentar algumas reflexões a respeito deste delineamento.

Entre outros, destacaria estas sugestões:

– o entendimento do universo (aqui de APs, lá de assentamentos) como ponto de chegada, e, ao mesmo tempo, ponto de partida de uma dinâmica social (e também econômica, política, ambiental);

– o recorte regional (que poderia ser re-definido de territorial), que ao mesmo tempo supera a categoria do entorno, colocando a AP dentro de uma mais ampla dinâmica local, porém qualificada pelas relações sociais (econômicas, políticas, ecológicas) que os insiders entretêm com os outsiders;

– as três dimensões consideradas na avaliação dos impactos: a) comparação da situação das populações incluídas em APs (aqui, lá assentamentos) antes e depois da criação da AP; b) comparação da situação das populações incluídas em APs com as de fora; c) “análise dos efeitos observados nos níveis locais e regionais cuja origem deve-se, primordialmente, à implantação dos projetos de assentamentos” (Medeiros, Leite, 2004, p. 25).

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Leonilde Sérvolo de Medeiros, Sérgio Leite, Assentamentos rurais: mudança social e dinâmica regional, Mauad, Rio de Janeiro 2004

Luca Fanelli
Visite www.lucafanelli.net

Seminário Regional Sudeste de Construção do Conhecimento Agroecológico

Participação à este seminário.

Local: Auditório da Biblioteca Central (Abertura e apresentação de trabalhos)

Período: 13/10/2009 a 15/10/2009
Horário: 08:00 h
Público-Alvo: Produtores Rurais Quilombolas Indígenas Estudantes Técnicos Pesquisadores Professores
Coordenador: IVO JUCKSCH
Telefone de Contato: 3899 1075
Promoção:
DPS-DEPARTAMENTO DE SOLOS
Departamento de Educação
Associação Brasileira de Agroecologia
Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata – CTA-ZM

Governo decreta Resex Renascer…

Notícias socioambientais :: Socioambiental

Governo decreta Resex Renascer depois de um ano sem criar novas unidades de conservação

[15/06/2009 10:44]

 

Com extensão de 211.741,37ha, em Prainha, no Pará, a nova Reserva Extrativista soma com as demais criadas anteriormente – Monumento Natural (Mona) do Rio São Francisco (BA/SE/AL), Resex Prainha do Canto Verde (CE) e Resex Cassurubá (BA) –, cerca de 372.000 ha de novas áreas protegidas cuja meta é conciliar o uso tradicional e não predatório com a conservação da biodiversidade e paisagens associadas.

A reivindicação de criação de uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável na região data de mais de seis anos, tendo sido iniciada por um processo aberto pelo Conselho Nacional dos Seringueiros, finalizado pelas lideranças da região, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e pela Colônia de Pescadores de Prainha.O mais recente povoamento da região começou na década de 1920, em decorrência da exploração da borracha, da castanha do pará e da juta; os migrantes consolidaram sua presença desenvolvendo uma rica e profunda relação com o ambiente. Inicialmente, a área que hoje constitui a Resex Renascer, fazia parte da proposta para a criação da Resex Verde para Sempre; porém, ao criar esta em novembro de 2004, com 1.288.720ha, o Governo Federal excluiu a área da atual Renascer, pois a grande extensão da Resex criada deu ainda mais visibilidade à questão, aumentando as pressões contrárias do poder local.No fim de 2006, em um dos últimos atos de seu mandato, Simão Jatene (PSDB), o então governador do Pará, decretou a criação de uma Floresta Estadual sobreposta à área requerida para Resex. O ato, entretanto, foi impedido por uma liminar de 2006 confirmada pelo Ministério Público Federal em meados de 2007, que argumentara que tal criação seria um ataque ao modo de vida das populações tradicionais da região, privilegiando um modelo de exploração predatório da floresta amazônica.A consulta pública de apresentação dos estudos técnicos para criação da Resex Renascer, último ato administrativo necessário para sua criação, ocorreu em dezembro de 2007 e desde maio de 2008 o processo estava parado na Casa Civil – onde também adormece em profundo sono o processo de criação da Resex Baixo Rio Branco Jauaperi(RR), de 2001. A Resex Renascer situa-se na área de influência da BR-163, sendo alvo de dinâmicas de ocupação que ocorrem simultaneamente em todo o oeste paraense. Assim, além do interesse minerário na região sul da Resex, a grande demora na criação deve-se às pressões do setor madeireiro, que opera ilegitimamente na região desde 2000. Tal setor priva a população local de valioso recurso econômico, prejudicando os ecossistemas fluviais, ameaçando a população local e, de fato, polarizando e radicalizando o antigo e latente conflito entre os extrativistas e a classe de grandes pecuaristas locais.O Estudo Socioeconômico da Área Proposta para Criação da Reserva Extrativista Renascer (Prainha / PA), propôs, para criação da Resex Renascer, extensão próxima do dobro com que esta foi criada: 414.274 ha. Essa redução entre a área criada e a reivindicada pelos extrativistas fez com que estes perdessem espaços tidos como essenciais para as atividades econômicas locais, como a várzea na margem direita do rio Amazonas, de extrema importância para a manutenção da biodiversidade, das relações sociais e econômicas dos extrativistas – e um vasto trecho ao sul, de grande riqueza de recursos florestais. A delimitação da Resex excluiu também 1.766 ha no noroeste da área, de ocupação consolidada por fazendas.Diante disso, além de tudo o que foi mencionado, a relativa exclusão do município das políticas públicas e também da ação de instituições não governamentais traz um grande desafio à população: organizar-se localmente e continuar a desenvolver suas habilidades para produzir alimentos de qualidade (piracui, mel de abelha nativa, beijus) e artesanato.

Por meio de decreto publicado Diário Oficial de 8 de junho passado, o Presidente Lula criou, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a Reserva Extrativista Renascer. Situada na bacia hidrográfica do Xingu e predominantemente formada por uma tipologia fitofisionômica definida como Floresta Ombrófila Densa, a área da Resex Renascer foi identificada, no processo de “Atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”(Ministério do Meio Ambiente – MMA 2006), como sendo de muito alta importância para a conservação. O Estudo Ambiental necessário, conjuntamente com o Socioeconômico, para a caracterização socioambiental, o reconhecimento da comunidade interessada como população tradicional e a legitimação de seu uso do território, realizado em 2005, identificou como algumas das espécies presentes, a castanheira (de grande abundância na região), o angelim-vermelho, a muiracatiara, a maçaranduba, o mogno, o cedro, maparajuba, o açaí e o buriti. Da grande variedade de peixes, o pirarucu, o tambaqui e o surubim são alguns dos mais importantes na alimentação dos moradores. Dentre os mamíferos, listam-se mais de 43 espécies, sendo que seis constam na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção (MMA IN 03/2003): tatu-canastra(Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), gato-maracajá (Leopardus wiedii), onça-pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura brasiliensis) e peixe-boi (Trichechus inunguis).

Em parte, essas reduções foram criadas devido aos compromissos com os interesses políticos locais, com os médios e grandes pecuaristas da região e, ainda, com as empresas madeireiras, provocando, ao longo dos anos, esses “recortes” crescentes da área original. Todas as exclusões fazem parte do mesmo complexo ecológico e também integravam a área de ‘muito alta importância para a conservação’ (identificada pelo MMA em 2006), sendo que seu uso diferenciado e predatório pode fragilizar a integridade ecológica e a sustentabilidade econômica da região.

ISA,
Silvia de Melo Futada e Luca Fanelli (colaborador MAIS/ISA).

 

Articolo sul progetto Uirapuru su Musibrasil

Uirapurú, magia solidale

Un’associazione torinese coinvolge 460 famiglie di contadini della regione Baixo-Amazonas che vivono nei villaggi. Per favorire lo sviluppo sostenibile delle comunità e promuovere l’interscambio.

Articolo di Annalisa Dolzan, apparso sull’edizione del dicembre 2008 di Musibrasil. Leggi l’articolo.

Ricerca e azione per lo sviluppo

ricercazioneDurante il XXX Congresso Internazionale di Americanistica (Perugia), 6-12 maggio 2008, nel seminario Amazzonia. Stato dell’arte della ricerca sul campo si è discussa la relazione tra ricerca, soprattutto nelle scienze sociali e letterarie, ed in particolare nell’antropologia, e progetti di sviluppo, in particolare non governativi.

In poche parole, si è affermata l’interdipendenza epistemologica tra ricerca e azione e la necessità di un legame tra le due pratiche; allo stesso tempo, è stata rilevata la separatezza tra attori della ricerca (in particolare le università) e attori dello sviluppo (in particolare le organizzazioni non governative).

Attori della cooperazione internazionale ed attori della ricerca in Amazzonia

Riporto qui la trascrizione del mio intervento alla tavola rotonda Ammazzonia. Lo stato attuale delle ricerche sul campo (Roma, 13 maggio 2008), e un breve riassunto delle questioni sollevate negli interventi successivi. La mia intenzione era trascrivere tutta la ricca discussione, ma, purtroppo, la qualità della registrazione non lo ha permesso.

Il mio punto di vista è un po’ differente dagli altri per due motivi. In primo luogo perché invece da partire dalla ricerca e andare all’azione io parto qui da un’esperienza di azione, lavoro in un’organizzazione non governativa per la quale lavoro dal 2004 nella regione Baixo-Amazonas, stato del Pará, Brasile; la seconda differenza è che mi sono sempre occupato di popolazioni cabocla , non di indios .

Ho riscontrato in vari interventi la problematica della relazione tra ricerca e azione, tra la ricerca e l’impegno per la difesa dei diritti, per il rafforzamento economico e sociale delle popolazioni coinvolte [nella ricerca], sia, come nel caso di Lino e di Edmundo, laddove vi è un impegno a partire dalla ricerca, sia, nel caso di Adalberto, in cui c’è stato il lavoro di ricerca, e, accanto, l’azione.

Il senso del mio intervento è quello di tematizzare questo rapporto che è, secondo me, estremamente difficile, soprattutto per [regioni quali] l’Amazzonia, in quanto come ogni luogo colonizzato, ma forse anche di più, c’è sempre stato un occhio volto all’intervento; in più, l’Amazzonia è sempre stata vista in due ottiche opposte: paradiso, da un lato, di chi cercava in questi luoghi le comunità non toccate dalla civiltà [il buon selvaggio], e dall’altro lato l’inferno amazzonico, con la sua foresta misteriosa, come luogo di cannibali, come luogo dove non si può realizzare lo “sviluppo”, perché non si riusciva; si pensi all’esperienza fallita delle plantation – fortunatamente fallite, [ma il cui fallimento ha creato il mito di una inespugnabile arretratezza].

Tutti questi attori, non caratterizzati da intenti di ricerca, ma che hanno penetrato l’Amazzonia per realizzavi un’azione, hanno creato in realtà una grandissima quantità di sapere, ovviamente un sapere orientato all’azione, ma che costituisce una fonte molto abbondate di dati, che, molto spesso e per vari motivi, non sono stati utilizzati. Tra questi possiamo citare le imprese minerarie, le banche, gli organi pubblici e, più recentemente, le organizzazioni non governative di cooperazione allo sviluppo.

E’ al riguardo interessante ed importante analizzare le differenze costitutive delle due tipologie di attori, e a partire da questa analisi ipotizzare le possibilità di dialogo. Gli attori della ricerca hanno tempi più lunghi, in quanto gli attori dell’azione hanno necessità di tempi brevi. [In entrambe i casi si ha una disparità tra soggetto (osservante o agente) ed oggetto (osservato o agito); ma sia nel campo della ricerca, sia nel campo di quella parte dell’azione di cui specificamente qui parliamo, la cooperazione allo sviluppo, alcuni attori si sono posti il problema della partecipazione], e quindi, come far parlare l’altro, nel caso della ricerca, e come far partecipare l’altro, nel caso dell’azione. Nel caso della ricerca il potere del ricercatore sul ricercato è più nascosto, [più sottile], nel caso dell’azione tale potere è più evidente, perché è attuato, con l’obbiettivo di mutare una realtà. Un’altra differenza importante, legata a questa, è che, generalmente, l’agente della ricerca non è stakeholder , ovvero non è coinvolto in processi decisionali che riguardano il suo oggetto di ricerca, in quanto nell’azione, l’agente è, per definizione, stakeholder.

Tra gli attori della ricerca e gli attori dell’azione sussiste una mancanza di dialogo: i soggetti della ricerca si sono disinteressati all’azione, così come i soggetti dell’azione si sono disinteressati alla ricerca.

A partire da queste considerazioni, sorgono alcune domande: quale dialogo tra la ricerca e l’azione? Come appropriarsi di tutto il materiale prodotto dagli interventi? Come la ricerca può qualificare l’azione, visto che la maggior parte delle organizzazioni non governative che, per quanto ho avuto modo di vedere nella regione dell’Amazzonia in cui ho lavorato, realizzano interventi senza sapere bene dove “stanno mettendo i piedi”, senza conoscere profondamente la realtà che intendono cambiare, o preservare?

Su un altro piano: che peso hanno, nel determinare l’agenda della ricerca, le priorità delle popolazioni che della ricerca sono oggetto?

Come suggerimento di riflessione vorrei concludere riflettendo su due concetti: quello dell’adeguatezza e quello della partecipazione, che a mio parere possono fornire una chiave di lettura importante nella risposta alle domande precedenti. Adeguatezza: solo una conoscenza molto approfondita della realtà in cui si vuole operare, una conoscenza che solo dalla ricerca può essere alimentata – una ricerca, però, che per fare questo deve anche sapersi metodologicamente aggiornare – permette che la direzione del cambiamento promosso sia benefico, e non malefico, per le popolazioni coinvolte in tale cambiamento. Partecipazione: la modificazione degli equilibri e dei meccanismi di potere, è la condizione necessaria affinché la distinzione tra osservato e osservante, tra chi definisce la direzione del mutamento e chi vive questo mutamento non sia una divisione di condizione, ma una distinzione temporanea di ruoli.

Altri interventi

La maggioranza degli interventi hanno affermato e rafforzato la questione dell’indissolubilità tra ricerca ed azione; in uno dei primi interventi Santoni lo ha espresso chiaramente «Il fatto di arrivare sul campo, intrecciare il proprio lavoro, la propria esperienza con delle persone dei rapporti, ti mette indirettamente in uno stato di azione politica. [.] Questa è una premessa necessaria per avere coscienza di ciò che si fa e fare con coscienza le cose». Neves va quasi oltre, affermando che non c’è distinzione tra politica e ricerca, e che ogni ricerca si inserisce in uno specifico contesto politico, così come ogni politica ha dei riferimenti teorici e spirituali. Recuperando il contenuto dell’intervento di Fanelli, Frova ancora una volta conferma il consenso quanto all’indissolubilità concettuale tra ricerca e azione, ma mette in luce la necessità di chiarificare le logiche delle istituzioni di ricerca e quelle delle organizzazioni di cooperazione, al fine di promuovere azioni che superino tale divario. Mazzoleni sottolinea che «Bamonte ha da sempre portato avanti la ricercazione, cioè non è andato mai passivamente da nessuna parte del mondo, né in Amazzonia, né nel Sudest asiatico, né in America Latina. Si è sempre occupato di indigeni, sia dando loro gli strumenti per rapportarsi con i governi locali, sia portandoli all’ONU. Quindi non si tratta soltanto di ricerca»; e Santoni ricorda l’esperienza dei progetti di cooperazione internazionale del Circolo Amerindiano, che partono dall’idea della promozione della cultura materiale e immateriale dei popoli indigeni, e si basano su un incontro tra teoria e prassi.

Un altro tema toccato da vari interventi è il contenuto dell’azione. In questo senso Poggion mette in luce che un problema centrale, nello snodo tra ricerca e azione, è il pernicioso concetto di sviluppo sostenibile, paradossale perché «nessuno sviluppo è sostenibile»; pertanto urgente è la critica a questo concetto. Bollettin e Santoni si soffermano invece sulla realtà dei progetti di sviluppo che, anche quando realizzati “a fin di bene”, possono rompere equilibri preesistenti e creare più danni che benefici. In questo senso, secondo Bollettin, non «la ricerca deve essere orientata dall’azione, ma l’azione dalla ricerca».

Alcuni interventi si sono soffermati sulla questione del differente rapporto tra ricerca e azione nelle diverse discipline, alcuni per affermare questa differenza, altri per negarla. Questi ultimi in particolare hanno mostrato come discipline anche estremamente astratte hanno un’influenza diretta sulla pratica, agendo sulle rappresentazioni del mondo delle persone.

Peres si è soffermato sul versante epistemologico del rapporto tra ricerca e azione: «non è possibile osservare nulla asetticamente. Ciò che osserviamo è determinato dalla nostra presenza». E si domanda, aggiungendo un nuovo elemento: «se dunque non vi è dubbio che la ricerca sia pure azione, anche ogni azione è una ricerca?».

Alcuni interventi di ricercatori sudamericani si è infine soffermato sulla crescente domanda di antropologi da parte dello Stato e delle imprese, sia nell’affermazione, sia nella negazione di diritti di popolazioni locali. Nel primo caso si tratta delle politiche pubbliche differenziate per le popolazioni indigene, quilombola , ribeirinha , etc., dove all’antropologo si chiede di identificare le popolazioni beneficiarie di tali politiche. Nel secondo caso si tratta della costruzione di grandi opere pubbliche – centrali idroelettriche, miniere, ecc.; qui l’antropologo deve valutare l’impatto delle opere sulle popolazioni coinvolte; in questo secondo caso si tratta di una questione molto critica, in quanto chi contratta tali valutazioni vuole occultare o minimizzare gli impatti; per questo, dice Peggion, si sono dati casi recenti di difficoltà, da parte di imprese e governi, nella contrattazione di antropologi per questo fine.

Riascoltando, a qualche mese di distanza, gli interventi su ricerca e azione dei partecipanti alla tavola rotonda, mi rendo conto di quanto fosse presuntuoso ed al tempo stesso importante toccare questo tema: presuntuoso, per la inesauribile ampiezza dell’argomento, che chiama in causa il problema della relazione tra idee e azioni, tra teoria e prassi, che nasconde trabocchetti legati alla definizione di ciò che è ricerca e di ciò che è azione, che ha ramificazioni in una molteplicità di discipline, dalla filosofia e epistemologia, alla pedagogia, all’antropologia, alla sociologia, alla storia, che ha interessato, solo per citare quelli che subito mi vengono alla mente, studiosi quali Gramsci, Weber, Bobbio, Freire; importante, perché è una questione particolarmente sentita, soprattutto per gli studiosi che si accostano a popoli più o meno oppressi, al Sud come al Nord del mondo, e il soffermarsi a ponderarla, pur senza volerla esaurire, è un percorso ricco e qualificante; importante, infine, come stimolo a coinvolgere, mettere in questione, gli attori della cooperazione internazionale, proprio perché questo è forse uno tra i campi in cui maggiori sono le possibilità di interessanti e proficui intrecci tra l’azione e la ricerca.