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Incentivos e impedimentos na conservação de Euterpe edulis Mart. em comunidades quilombolas do Vale do Ribeira

Juçara inventory
Inventario da juçara. Janeiro de 2010. Credit: Luca Fanelli/ ISA

Este trabalho analisa o resultado de um processo de enriquecimento de palmeira juçara em Comunidades Quilombolas no Vale do Ribeira – SP, bem como as dificuldades e gargalos para implantação efetiva do manejo sustentável. O trabalho foi construído a partir de levantamento em campo das populações da palmeira e também na realização de oficinas e observação participante. Os resultados apontam necessidades de incentivos e melhoria nas políticas públicas e também na gestão coletiva do recurso.

Luca A. Fanelli, Nilto I. Tatto, Eduardo P. C. Gomes, Clovis J. Oliveira Jr., Incentivos e impedimentos na conservação de Euterpe edulis Mart. em comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, «Revista Brasileira de Agroecologia», 7(2): 51-62.

Texto integral.

IV Seminário de Pesquisa do Vale do Ribeira

Dois posters apresentados ao IV Seminário de Pesquisa do Vale do Ribeira:

Fanelli, Luca; Pasinato, Raquel. Sementes tradicionais em comunidades quilombolas do Vale do Ribeira (SP) [Landraces in quilombola villages of the Ribeira Valley]

Oliveira Junior, Clovis José Fernandes; Fanelli, Luca. Populações de palmeira juçara em comunidades quilombolas no Vale do Ribeira [Juçara palm population in quilombola villages of the Ribeira Valley]

Restaurante no Vale do Ribeira inaugura cardápio à base de polpa de juçara

Do site do Instituto Socioambiental.

O almoço foi no último domingo 16 de maio, no restautante Kaverna, próximo a Caverna do Diabo, município de Eldorado (SP), no Vale do Ribeira. Quilombolas, técnicos e amigos do ISA confraternizaram em torno de almoço com pratos à base de polpa de juçara. O ingrediente veio dar novo sabor à culinária típica regional, além de revelar potencial para complementar a renda das comunidades quilombolas região.

Quilombolas das comunidades de Cangume, Ivaporunduva, Nunguara, Pedro Cubas, Porto Velho e São Pedro, no Vale do Ribeira, técnicos e amigos do Instituto Socioambiental ocupam uma grande mesa, no restautante Kaverna. Boa parte das outras mesas do restaurante estão lotadas de turistas. É como se todos tivessem decidido aproveitar os últimos dias de calor, antes da chegada do inverno. Na mesa dos quilombolas todos são amigos. As conversas giram em torno das novidades das respectivas comunidades, do trabalho e da vida. Todos têm muitas histórias para contar sobre a juçara, Os mais velhos já foram palmiteiros e trilharam a mata por muitas horas procurando a juçara, anos atrás. Depois, decidiram plantar a palmeira nos próprios quintais, e hoje, com satisfação, vêem que ela frutifica. Os mais novos, por sua vez, têm contribuído nos plantios a lanço na floresta para devolver à natureza o que lhe foi tirado. Representantes da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, que apoiou o evento, estão sentados em uma mesa próxima. A Fundação está interessada nas possibilidades de uso do fruto da juçara como alternativa ao corte.
A convidada especial do almoço é a palmeira juçara (Eutherpe edulis), espécie nativa da Mata Atlântica, considerada chave quer do ponto de vista ambiental quanto social e econômico. Desde a década de 1950, a exploração e o corte indiscriminado do palmito não só não gerou riqueza local como criou problemas do ponto de vista ambiental e social ao estigmatizar aqueles que cortam a palmeira, os “palmiteiros”. Bonita, de tronco esbelto, folhagem leve e brilhante e frutos roxo-escuro, a juçara com seus grandes cachos serve de alimento ao tucano de bico amarelo ou à araponga branca.

Turistas e quilomnbolas puderam ver como é feita a despolpa da juçara

É interessante observar que alguns dos turistas que conversam animadamente em outras mesas do restaurante, pouco sabem sobre a juçara. Se boa parte dos brasileiros conhece o palmito, não sabe, entretanto que os frutos da palmeira juçara podem ser amassados para produzir uma polpa roxo-escuro,Os visitantes podem conferir a semente transformando-se em polpa, do lado de fora, no pátio do restaurante, onde uma despolpadeira é manuseada pelo atencioso Cesar.
Enquanto isso acontece ao ar livre, dentro as cozinheiras capricham nos pratos, usando o ingrediente. Desde que a polpa da juçara foi “descoberta” como matéria prima para a confecção de novidades culinárias, tem despertado a curiosidade dos cozinheiros, profissionais ou não. Os integrantes da Água/Cooperagua de Guapiruvu (Sete Barras, SP), que desde o ano passado produzem expressivas quantidades de polpa, já inventaram a torta de juçara, o bolo de juçara, a juçara na tigela. Também os integrantes do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica, de Ubatuba (SP) que realizaram a II Festa da Juçara no campinho do Sertão de Ubatumirim, também no último final de semana, têm desenvolvido muitas receitas com a polpa.
Juçara vem se juntar ao arroz, feijão, milho e mandioca
No Restaurante Kaverna, em Eldorado, o desafio de elaborar os novos pratos tinha sido lançado para as chefes, integrantes do Convivium de Slow Food de São Paulo. E a resposta foi rápida: Neide Rigo, Cláudia Mattos (Zym Café) e Anayde Lima (Julia Gastronomia) desenvolveram várias receitas. Para compor o cardápio do último domingo, foram escolhidas: o frango com polpa de juçara, de Neide Rigo, e o brigadeiro neguinho juçara, de Cláudia Mattos. Quem quiser conhecer a receita do frango basta acessar o blog de Neide Rigo. Além destas outras receitas com polpa são: angu de juçara e frango com quiabo; molho para salada com juçara; músculo ao molho picante de juçara e creme de juçara com compota de banana ao caramelo.

Frango com polpa de juçara foi sucesso no cardápio…
… da mesma forma que o brigadeiro neguinha juçara

Para o gerente do restaurante, Aristide Dias, ou Tide como é chamado, fazer os pratos não foi difícil, e é uma oportunidade de realizar um experimento que pode fazer parte do cardápio, como exemplo de um prato típico, regional. O suco da juçara deverá estar disponível em breve no restaurante e será oferecido aos que excursionam na Caverna do Diabo, a poucas centenas de metros do restaurante.
Todos os que participaram do almoço – quilombolas e turistas – elogiaram as novas receitas “Agora que experimentei o frango com juçara, os pássaros vão reclamar”, disse brincando um quilombola presente. Ele se referia ao fato de querer reproduzir a receita em casa e com isso, competir com os pássaros pela polpa. O brigadeiro também foi elogiado como sendo um doce bem regional.
Prazeres da mesa e convívio estão entre as opções escolhidas para divulgar um produto, que pode se tornar um importante complemento de renda no diversificado sistema econômico das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Ao lado da produção tradicional de arroz, feijão, milho, mandioca, e centenas de outras variedades de plantas, vem se juntar a juçara. Com o mel e o artesanato, a comida feita com a polpa e mesmo o suco poderão ser comercializados junto aos turistas que vão conhecer a Caverna do Diabo. Anoitecia quando os últimos participantes do evento deixaram o restaurante. A safra deste ano, nesta região do Vale do Ribeira, está ao fim, mas as novidades apresentadas a todos neste domingo são promissoras.

ISA, Luca Fanelli.