Infográfico sobre unidades de conservação de uso susentável no Brasil

Conflict between villages and protected area brings together Brazil and Angola

Jacinto Wacussanga e Toninho: longas caminhadas para chegar às casas da comunidade
Jacinto Wacussanga e Toninho: longas caminhadas para chegar às casas da comunidade

Representante de ONG angolana visita o quilombo de Bombas, no Vale do Ribeira (SP) e conversa com as lideranças locais sobre as semelhanças e diferenças dos problemas enfrentados por comunidades tradicionais de seu país na relação com as áreas protegidas. A comunidade de Bombas vive dentro de um parque, criado em sobreposição ao território quilombola. Da mesma forma, inúmeras comunidades pastoris, vivem no Parque do Bicuar, em Angola.

Leia a notícia na integra no site do Instituto Socioambiental.

Impactos de APs e impactos de assentamentos rurais – Análise de Impactos Sociais de Áreas Protegidas

I’ve just posted that in the Análise de Impactos Sociais de Áreas Protegidas blog.

Impactos de APs e impactos de assentamentos rurais

Gostaria de parabenizar as organizações promotoras da iniciativa, pelo alto nível do debate. Achei o trabalho da Eliane muito rico e profundo, requerendo uma leitura bastante atenta.

A riqueza dos enfoques apresentados neste estudo, assim como as linhas teórico/práticas levantadas na “Oficina preliminar” poderiam sugerir cautela em apresentar um ulterior ponto de vista.

Porém, acredito que algo de interessante poderia se achar em uma linha de pesquisa, bem brasileira, que, a partir do final da década passada, se debruça sobre impactos dos assentamentos rurais. Estes últimos são, sem sombra de dúvidas, algo de bem diferente das áreas protegidas (apesar do que, administrativamente, as duas entidades às vezes se sobrepõem). Porém, ambos põem a questão da (re)-criação de um universo social, na dialética entre ação da população e do Estado, na relação recíproca e na relação com os mediadores.

Um outro ponto crítico bem interessante que ambos compartilham é que «a trajetoria dos projetos […] sempre recolo[ca] a questão da legitimidade deste tipo de intervenção» no quadro da sociedade como um todo (Medeiros, Leite, 2004, p. 19).

A partir deste mesmo estudo, síntese de uma pesquisa que significativamente chamava-se Os impactos regionais dos assentamentos rurais: dimensões econômicas, políticas e sociais, podemos, ao meu ver, trazer algumas sugestões que, mesmo não tendo aplicação diretas na criação de um delineamento de princípios e diretrizes teóricas e metodológicas para uma “análise dos impactos sociais” das APs, pode fomentar algumas reflexões a respeito deste delineamento.

Entre outros, destacaria estas sugestões:

– o entendimento do universo (aqui de APs, lá de assentamentos) como ponto de chegada, e, ao mesmo tempo, ponto de partida de uma dinâmica social (e também econômica, política, ambiental);

– o recorte regional (que poderia ser re-definido de territorial), que ao mesmo tempo supera a categoria do entorno, colocando a AP dentro de uma mais ampla dinâmica local, porém qualificada pelas relações sociais (econômicas, políticas, ecológicas) que os insiders entretêm com os outsiders;

– as três dimensões consideradas na avaliação dos impactos: a) comparação da situação das populações incluídas em APs (aqui, lá assentamentos) antes e depois da criação da AP; b) comparação da situação das populações incluídas em APs com as de fora; c) “análise dos efeitos observados nos níveis locais e regionais cuja origem deve-se, primordialmente, à implantação dos projetos de assentamentos” (Medeiros, Leite, 2004, p. 25).

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Leonilde Sérvolo de Medeiros, Sérgio Leite, Assentamentos rurais: mudança social e dinâmica regional, Mauad, Rio de Janeiro 2004

Luca Fanelli
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