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Tarubá: o processo de produção

Tenho escrito em outro post sobre tarubá, uma bebida fermentada produzida com a mandioca. O post é este, mas infelizmente não consegui ainda traduzi-lo para o português.

Como se produz o tarubá? O processo é complicado e merece uma documentação. Apresento aqui como o produz Maria do Socorro Oliveira, da comunidade de Escrivão, margem esquerda do rio Tabajós, município de Aveiro, Pará, Brasil.

Maria explicou em detalhe o processo de produção e concordou em documentá-lo com imagens. As fotografias são do Adamor Cardoso.

Até onde eu sei, é a primeira documentação completa do processo de produção do tarubá.

Tentamos aprofundar também a questão da puçanga, um pó que é colocada a massa da mandioca, antes de descansar. Este pó é obtido torrando e esmiuçando as folhas de uma planta específica, que é a mesma usada para cobrir a massa para o descanso. O nome vulgar desta planta é curumim, mas não achamos fontes confiáveis que a identifique. Após avaliação, achamos que trata-se da Trema micrantha (L.) Blum.

Diagrama do processo de produção do tarubá

O processo de produção do tarubá

Documentação fotográfica completa do processo de produção do tarubá

Visita em Prainha para acompanhar as mudanças na produção de piracui

Pescador. Prainha 2015. Foto de Tamara Saré
Pescador. Prainha 2015. Foto de Tamara Saré

A partir de 2008 tentei encontrar caminhos para apoiar os produtores de piracui de Prainha (Pará, Brasil). No agosto deste ano estava na Amazônia e decidi de visitá-los. Tinha faltado do local desde 2010 e queria saber o que tinha mudado. Além disso, queria coletar algumas entrevistas video, para que os pescadores, em primeira pessoa, pudessem falar do trabalho deles, duro e delicado.

Na organização da visita me ajudou a amiga Ivonete que, junto comigo, é responsável do piracui na Arca do Gosto do Slow Food. Uma pequena equipe se juntou conosco: Revelino e Flodivaldo, da Colônia de Pescadores, a Tamara, fotografa e amiga e a Karen, que estuda na Universidade de Ciências Gastronómicas, e, por sinal, é minha filha.

Temos coletados muitas informações, e de ótima qualidade, assim como belas testenunhas, que vou tentar editar e colocar neste blog, ou em outro lugar.

Estava já com esta idéia, mas nesta visita foi confermada: é urgente que os pescadores producam menos piracui, com a mesma geração de renda. Isto significa que quem já produz um piracui de qualidade, vai continuar deste jeito; os outros, têm que aumentar a qualidade. E a qualidade tem que ser valorizada.

Esta mudança não é oportuna só para a qualidade de vida dos pescadores, mas tambem para o meio ambiente, já que a super-produção de piracui está ameaçando a fonte, ou seja o peixe acari 1.

O problema não é a procura: o piracui tem um mercado macro-regional (Santarém, Manaus, Belém, talvez Fortaleza): quase 10 toneladas de piracui deixam Prainha cada ano; qualquer um que já usou o piracui na cozinha, sabe que esta é uma quantidade muito muito grande.

Mas neste mercado não têm incentivos para quem produz com qualidade: quem produz um bom piracui geralmente recebe algo a mais do comprador local, mas o piracui dele é vendido para o consumidor junto com o de qualidade baixa. O consumidor local não pode escolher entre um piracui bom ou “ruím”, ou até não sabe que existe um piracui bom e um “ruím”.

Além disso, apesar do que tenha muita clareza entre os produtores a respeito dos processos que fazem um piracui ser de qualidae, permanecem também muitas dúvidas, principalmente a respeito da conservação. É também muito importante que a questão sanitária seja levantadas “de baixo para cima” e não imposta “de cima para baixo”. Hoje não tem nenhum controle sanitário; mas, cedo ou tarde, isso vai chegar e se a vigilancia sanitária é implementada sem levar em conta as especifidades locais, muitos produtores serão afetados – e talvez alguns entre os melhores. Tem no Brasil um debate muito interessante em relação à adaptação das regras sanitárias à pequena produção (cfr. esta notícia), mas tem ainda muito caminho para andar2.

Pode encontrar um relatório mais aprofundado sobre os resultados da visita aqui.

Espero de verdade que alguma organização (governamental ou não) possa se interessar no assunto e comprometer-se para apoiar o povo de Prainha para promover uma produção mais sustentável, que leve à melhora da qualidade de vida local.

Toda a equipe. De esquerda para direita: Revelino, Ivonete, Flodivaldo, Luca, Karen e Tamara. Rio Vira Sebo. Prainha, PA, Brasil. 2015 (c) Luca Fanelli
Toda a equipe. De esquerda para direita: Revelino, Ivonete, Flodivaldo, Luca, Karen e Tamara. Rio Vira Sebo. Prainha, PA, Brasil. 2015 (c) Luca Fanelli
  1. A diminuição do acari têm outras causas, mas a pesca ecessiva é uma das principais
  2. Também o documento da FAO e do WHO Guidance to governments on the application of HACCP in smalland/or less-developed food businesses aponta para este rumo.

Memória de Luzia Fati

Foto di Luca Fanelli/ MAIS. Nov. 2011
A orla de Santarém

Para recordar a bela pessoa da Luzia Fati, que faleceu no começo deste mês de março, reproduzo aqui integralmente uma maravilhosa entrevista, que tive a oportunidade de gravar em Abril de 2007, em Santarém (Pará).

Nesta entrevista, ela reconstrói a trajetória da sua vida e do movimento sindical da região Norte, juntando elementos históricos, uma pontual análise política, e comoventes lembranças pessoais.

A entrevista está dividida em 6 partes.

   I parte – Da infância a juventude, a formação política e pessoal, até chegar na direção do STTR de Santarém (21 min.).

II Parte – Da secretaria de formação do STTR até a direção nacional da CUT

III Parte – Na direção da CUT nacional (1° e 2° mandato), a volta a Santarém, a atuação no ISAM

IV – Ser dirigente sindical mulher, as oportunidades, a relação com a família

V – Histórico e atuação do STTR de Santarém, papel do sindicato, papel político e económico do sindicato, a questão de terra hoje

VI Parte – Ribeirinhos e planalto na história do sindicato, a articulação sindical na região, outros testemunhas, conclusões

Uma breve nota sobre a vida da Luzia pode ser encontrada aqui (site da CUT).

Identidade visual comunidades ribeirinhas (resgate)

Notícia postada no blog ARTIVISIVE SP em 2007.

Mais informações na página sobre Tamuá

Um pequeno grande exemplo de como um projeto de design pode interligar pontos do território brasileiro em busca de um bem comum. Conto um pouco da historia de como foi efetuada esta jornada projetual dos alunos de 3o ano de Graphic Design do IED São Paulo.


 

O projeto teve inicio na 2a metade do ano de 2006, com o contato de Luca Fanelli, responsável no Brasil pela MAIS – ONG Italiana, com patrocínio do ministério do exterior da Itália, que desenvolve projetos de implementação da agricultura familiar das comunidades rurais da baixa Amazônia compatíveis com a preservação e conservação do eco sistema local.

Ao descrever as atividades agrícolas destas comunidades, Luca pediu a colaboração do Istituto Europeo para o desenvolvimento da identidade visual dos produtos. As comunidades produzem de forma artesanal produtos como mel, farinha de mandioca, biju, polpa de fruta e artesanato.

Para isso, convidamos como orientador do projeto Giovanni Vannucchi, sócio-fundador da OZ Design, um dos mais renomados estúdios de Branding brasileiros. Assim, em 19 de março de 2007, deu se inicio ao projeto aonde os alunos de 3o ano de Graphic Design eram dirigidos por Vannucchi e argumentavam a distância com Luca Fanelli.

Desenvolvendo assim um 1o percurso de pesquisa com término em 26 de abril. Durante esta fase formas realizados o briefing do projeto, a pesquisa iconográfica, o naming, a pesquisa de Mercado e as hipóteses de identidade visual.

Ao inicio de maio, os estudantes, Giovanni Vannucchi e eu, fizemos uma visita de campo em Santarém do Pará com as hipóteses de projeto a serem apresentadas.

Durante uma semana foram realizadas reuniões com a MAIS e as outras associações colaboradoras do projeto, a CEFT-BAM e CEAPAC. Na cidade de Santarém foram efetuadas pesquisas em mercados, supermercados, gráficas e pontos de encontro. Depois viajamos de barco pelo rio Amazonas para visitar e conhecer as comunidades, onde apresentamos nossos projetos, e visitamos os locais de produção.

Ao retornarmos para São Paulo, os estudantes desenvolveram os projetos definitivos, que foram apresentados na metade de junho na sede IED de São Paulo e foram enviados para as comunidades em Santarém.

Em outubro, em Brasília, durante um importante encontro sobre Slow Food, a Comunidade de Santo Antonio apresentou seus produtos com embalagens desenvolvidas pela aluna Marilia Rúbio. http://terramadre.slowfoodbrasil.com/

Notícia postada no blog ARTIVISIVE SP em 2007.

Mais informações na página sobre Tamuá

Um pequeno grande exemplo de como um projeto de design pode interligar pontos do território brasileiro em busca de um bem comum. Conto um pouco da historia de como foi efetuada esta jornada projetual dos alunos de 3o ano de Graphic Design do IED São Paulo.


 

O projeto teve inicio na 2a metade do ano de 2006, com o contato de Luca Fanelli, responsável no Brasil pela MAIS – ONG Italiana, com patrocínio do ministério do exterior da Itália, que desenvolve projetos de implementação da agricultura familiar das comunidades rurais da baixa Amazônia compatíveis com a preservação e conservação do eco sistema local.

Ao descrever as atividades agrícolas destas comunidades, Luca pediu a colaboração do Istituto Europeo para o desenvolvimento da identidade visual dos produtos. As comunidades produzem de forma artesanal produtos como mel, farinha de mandioca, biju, polpa de fruta e artesanato.

Para isso, convidamos como orientador do projeto Giovanni Vannucchi, sócio-fundador da OZ Design, um dos mais renomados estúdios de Branding brasileiros. Assim, em 19 de março de 2007, deu se inicio ao projeto aonde os alunos de 3o ano de Graphic Design eram dirigidos por Vannucchi e argumentavam a distância com Luca Fanelli.

Desenvolvendo assim um 1o percurso de pesquisa com término em 26 de abril. Durante esta fase formas realizados o briefing do projeto, a pesquisa iconográfica, o naming, a pesquisa de Mercado e as hipóteses de identidade visual.

Ao inicio de maio, os estudantes, Giovanni Vannucchi e eu, fizemos uma visita de campo em Santarém do Pará com as hipóteses de projeto a serem apresentadas.

Durante uma semana foram realizadas reuniões com a MAIS e as outras associações colaboradoras do projeto, a CEFT-BAM e CEAPAC. Na cidade de Santarém foram efetuadas pesquisas em mercados, supermercados, gráficas e pontos de encontro. Depois viajamos de barco pelo rio Amazonas para visitar e conhecer as comunidades, onde apresentamos nossos projetos, e visitamos os locais de produção.

Ao retornarmos para São Paulo, os estudantes desenvolveram os projetos definitivos, que foram apresentados na metade de junho na sede IED de São Paulo e foram enviados para as comunidades em Santarém.

Em outubro, em Brasília, durante um importante encontro sobre Slow Food, a Comunidade de Santo Antonio apresentou seus produtos com embalagens desenvolvidas pela aluna Marilia Rúbio. http://terramadre.slowfoodbrasil.com/

Notícia postada no blog ARTIVISIVE SP em 2007.

Mais informações na página sobre Tamuá

Um pequeno grande exemplo de como um projeto de design pode interligar pontos do território brasileiro em busca de um bem comum. Conto um pouco da historia de como foi efetuada esta jornada projetual dos alunos de 3o ano de Graphic Design do IED São Paulo.


 

O projeto teve inicio na 2a metade do ano de 2006, com o contato de Luca Fanelli, responsável no Brasil pela MAIS – ONG Italiana, com patrocínio do ministério do exterior da Itália, que desenvolve projetos de implementação da agricultura familiar das comunidades rurais da baixa Amazônia compatíveis com a preservação e conservação do eco sistema local.

Ao descrever as atividades agrícolas destas comunidades, Luca pediu a colaboração do Istituto Europeo para o desenvolvimento da identidade visual dos produtos. As comunidades produzem de forma artesanal produtos como mel, farinha de mandioca, biju, polpa de fruta e artesanato.

Para isso, convidamos como orientador do projeto Giovanni Vannucchi, sócio-fundador da OZ Design, um dos mais renomados estúdios de Branding brasileiros. Assim, em 19 de março de 2007, deu se inicio ao projeto aonde os alunos de 3o ano de Graphic Design eram dirigidos por Vannucchi e argumentavam a distância com Luca Fanelli.

Desenvolvendo assim um 1o percurso de pesquisa com término em 26 de abril. Durante esta fase formas realizados o briefing do projeto, a pesquisa iconográfica, o naming, a pesquisa de Mercado e as hipóteses de identidade visual.

Ao inicio de maio, os estudantes, Giovanni Vannucchi e eu, fizemos uma visita de campo em Santarém do Pará com as hipóteses de projeto a serem apresentadas.

Durante uma semana foram realizadas reuniões com a MAIS e as outras associações colaboradoras do projeto, a CEFT-BAM e CEAPAC. Na cidade de Santarém foram efetuadas pesquisas em mercados, supermercados, gráficas e pontos de encontro. Depois viajamos de barco pelo rio Amazonas para visitar e conhecer as comunidades, onde apresentamos nossos projetos, e visitamos os locais de produção.

Ao retornarmos para São Paulo, os estudantes desenvolveram os projetos definitivos, que foram apresentados na metade de junho na sede IED de São Paulo e foram enviados para as comunidades em Santarém.

Em outubro, em Brasília, durante um importante encontro sobre Slow Food, a Comunidade de Santo Antonio apresentou seus produtos com embalagens desenvolvidas pela aluna Marilia Rúbio. http://terramadre.slowfoodbrasil.com/

Governo decreta Resex Renascer…


Notícias socioambientais :: Socioambiental

Governo decreta Resex Renascer depois de um ano sem criar novas unidades de conservação

[15/06/2009 10:44]

 

Com extensão de 211.741,37ha, em Prainha, no Pará, a nova Reserva Extrativista soma com as demais criadas anteriormente – Monumento Natural (Mona) do Rio São Francisco (BA/SE/AL), Resex Prainha do Canto Verde (CE) e Resex Cassurubá (BA) –, cerca de 372.000 ha de novas áreas protegidas cuja meta é conciliar o uso tradicional e não predatório com a conservação da biodiversidade e paisagens associadas.

A reivindicação de criação de uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável na região data de mais de seis anos, tendo sido iniciada por um processo aberto pelo Conselho Nacional dos Seringueiros, finalizado pelas lideranças da região, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e pela Colônia de Pescadores de Prainha.O mais recente povoamento da região começou na década de 1920, em decorrência da exploração da borracha, da castanha do pará e da juta; os migrantes consolidaram sua presença desenvolvendo uma rica e profunda relação com o ambiente. Inicialmente, a área que hoje constitui a Resex Renascer, fazia parte da proposta para a criação da Resex Verde para Sempre; porém, ao criar esta em novembro de 2004, com 1.288.720ha, o Governo Federal excluiu a área da atual Renascer, pois a grande extensão da Resex criada deu ainda mais visibilidade à questão, aumentando as pressões contrárias do poder local.No fim de 2006, em um dos últimos atos de seu mandato, Simão Jatene (PSDB), o então governador do Pará, decretou a criação de uma Floresta Estadual sobreposta à área requerida para Resex. O ato, entretanto, foi impedido por uma liminar de 2006 confirmada pelo Ministério Público Federal em meados de 2007, que argumentara que tal criação seria um ataque ao modo de vida das populações tradicionais da região, privilegiando um modelo de exploração predatório da floresta amazônica.A consulta pública de apresentação dos estudos técnicos para criação da Resex Renascer, último ato administrativo necessário para sua criação, ocorreu em dezembro de 2007 e desde maio de 2008 o processo estava parado na Casa Civil – onde também adormece em profundo sono o processo de criação da Resex Baixo Rio Branco Jauaperi(RR), de 2001. A Resex Renascer situa-se na área de influência da BR-163, sendo alvo de dinâmicas de ocupação que ocorrem simultaneamente em todo o oeste paraense. Assim, além do interesse minerário na região sul da Resex, a grande demora na criação deve-se às pressões do setor madeireiro, que opera ilegitimamente na região desde 2000. Tal setor priva a população local de valioso recurso econômico, prejudicando os ecossistemas fluviais, ameaçando a população local e, de fato, polarizando e radicalizando o antigo e latente conflito entre os extrativistas e a classe de grandes pecuaristas locais.O Estudo Socioeconômico da Área Proposta para Criação da Reserva Extrativista Renascer (Prainha / PA), propôs, para criação da Resex Renascer, extensão próxima do dobro com que esta foi criada: 414.274 ha. Essa redução entre a área criada e a reivindicada pelos extrativistas fez com que estes perdessem espaços tidos como essenciais para as atividades econômicas locais, como a várzea na margem direita do rio Amazonas, de extrema importância para a manutenção da biodiversidade, das relações sociais e econômicas dos extrativistas – e um vasto trecho ao sul, de grande riqueza de recursos florestais. A delimitação da Resex excluiu também 1.766 ha no noroeste da área, de ocupação consolidada por fazendas.Diante disso, além de tudo o que foi mencionado, a relativa exclusão do município das políticas públicas e também da ação de instituições não governamentais traz um grande desafio à população: organizar-se localmente e continuar a desenvolver suas habilidades para produzir alimentos de qualidade (piracui, mel de abelha nativa, beijus) e artesanato.

Por meio de decreto publicado Diário Oficial de 8 de junho passado, o Presidente Lula criou, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a Reserva Extrativista Renascer. Situada na bacia hidrográfica do Xingu e predominantemente formada por uma tipologia fitofisionômica definida como Floresta Ombrófila Densa, a área da Resex Renascer foi identificada, no processo de “Atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”(Ministério do Meio Ambiente – MMA 2006), como sendo de muito alta importância para a conservação. O Estudo Ambiental necessário, conjuntamente com o Socioeconômico, para a caracterização socioambiental, o reconhecimento da comunidade interessada como população tradicional e a legitimação de seu uso do território, realizado em 2005, identificou como algumas das espécies presentes, a castanheira (de grande abundância na região), o angelim-vermelho, a muiracatiara, a maçaranduba, o mogno, o cedro, maparajuba, o açaí e o buriti. Da grande variedade de peixes, o pirarucu, o tambaqui e o surubim são alguns dos mais importantes na alimentação dos moradores. Dentre os mamíferos, listam-se mais de 43 espécies, sendo que seis constam na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção (MMA IN 03/2003): tatu-canastra(Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), gato-maracajá (Leopardus wiedii), onça-pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura brasiliensis) e peixe-boi (Trichechus inunguis).

Em parte, essas reduções foram criadas devido aos compromissos com os interesses políticos locais, com os médios e grandes pecuaristas da região e, ainda, com as empresas madeireiras, provocando, ao longo dos anos, esses “recortes” crescentes da área original. Todas as exclusões fazem parte do mesmo complexo ecológico e também integravam a área de ‘muito alta importância para a conservação’ (identificada pelo MMA em 2006), sendo que seu uso diferenciado e predatório pode fragilizar a integridade ecológica e a sustentabilidade econômica da região.

ISA,
Silvia de Melo Futada e Luca Fanelli (colaborador MAIS/ISA).

 


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Governo decreta Resex Renascer depois de um ano sem criar novas unidades de conservação

[15/06/2009 10:44]

 

Com extensão de 211.741,37ha, em Prainha, no Pará, a nova Reserva Extrativista soma com as demais criadas anteriormente – Monumento Natural (Mona) do Rio São Francisco (BA/SE/AL), Resex Prainha do Canto Verde (CE) e Resex Cassurubá (BA) –, cerca de 372.000 ha de novas áreas protegidas cuja meta é conciliar o uso tradicional e não predatório com a conservação da biodiversidade e paisagens associadas.

A reivindicação de criação de uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável na região data de mais de seis anos, tendo sido iniciada por um processo aberto pelo Conselho Nacional dos Seringueiros, finalizado pelas lideranças da região, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e pela Colônia de Pescadores de Prainha.O mais recente povoamento da região começou na década de 1920, em decorrência da exploração da borracha, da castanha do pará e da juta; os migrantes consolidaram sua presença desenvolvendo uma rica e profunda relação com o ambiente. Inicialmente, a área que hoje constitui a Resex Renascer, fazia parte da proposta para a criação da Resex Verde para Sempre; porém, ao criar esta em novembro de 2004, com 1.288.720ha, o Governo Federal excluiu a área da atual Renascer, pois a grande extensão da Resex criada deu ainda mais visibilidade à questão, aumentando as pressões contrárias do poder local.No fim de 2006, em um dos últimos atos de seu mandato, Simão Jatene (PSDB), o então governador do Pará, decretou a criação de uma Floresta Estadual sobreposta à área requerida para Resex. O ato, entretanto, foi impedido por uma liminar de 2006 confirmada pelo Ministério Público Federal em meados de 2007, que argumentara que tal criação seria um ataque ao modo de vida das populações tradicionais da região, privilegiando um modelo de exploração predatório da floresta amazônica.A consulta pública de apresentação dos estudos técnicos para criação da Resex Renascer, último ato administrativo necessário para sua criação, ocorreu em dezembro de 2007 e desde maio de 2008 o processo estava parado na Casa Civil – onde também adormece em profundo sono o processo de criação da Resex Baixo Rio Branco Jauaperi(RR), de 2001. A Resex Renascer situa-se na área de influência da BR-163, sendo alvo de dinâmicas de ocupação que ocorrem simultaneamente em todo o oeste paraense. Assim, além do interesse minerário na região sul da Resex, a grande demora na criação deve-se às pressões do setor madeireiro, que opera ilegitimamente na região desde 2000. Tal setor priva a população local de valioso recurso econômico, prejudicando os ecossistemas fluviais, ameaçando a população local e, de fato, polarizando e radicalizando o antigo e latente conflito entre os extrativistas e a classe de grandes pecuaristas locais.O Estudo Socioeconômico da Área Proposta para Criação da Reserva Extrativista Renascer (Prainha / PA), propôs, para criação da Resex Renascer, extensão próxima do dobro com que esta foi criada: 414.274 ha. Essa redução entre a área criada e a reivindicada pelos extrativistas fez com que estes perdessem espaços tidos como essenciais para as atividades econômicas locais, como a várzea na margem direita do rio Amazonas, de extrema importância para a manutenção da biodiversidade, das relações sociais e econômicas dos extrativistas – e um vasto trecho ao sul, de grande riqueza de recursos florestais. A delimitação da Resex excluiu também 1.766 ha no noroeste da área, de ocupação consolidada por fazendas.Diante disso, além de tudo o que foi mencionado, a relativa exclusão do município das políticas públicas e também da ação de instituições não governamentais traz um grande desafio à população: organizar-se localmente e continuar a desenvolver suas habilidades para produzir alimentos de qualidade (piracui, mel de abelha nativa, beijus) e artesanato.

Por meio de decreto publicado Diário Oficial de 8 de junho passado, o Presidente Lula criou, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a Reserva Extrativista Renascer. Situada na bacia hidrográfica do Xingu e predominantemente formada por uma tipologia fitofisionômica definida como Floresta Ombrófila Densa, a área da Resex Renascer foi identificada, no processo de “Atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”(Ministério do Meio Ambiente – MMA 2006), como sendo de muito alta importância para a conservação. O Estudo Ambiental necessário, conjuntamente com o Socioeconômico, para a caracterização socioambiental, o reconhecimento da comunidade interessada como população tradicional e a legitimação de seu uso do território, realizado em 2005, identificou como algumas das espécies presentes, a castanheira (de grande abundância na região), o angelim-vermelho, a muiracatiara, a maçaranduba, o mogno, o cedro, maparajuba, o açaí e o buriti. Da grande variedade de peixes, o pirarucu, o tambaqui e o surubim são alguns dos mais importantes na alimentação dos moradores. Dentre os mamíferos, listam-se mais de 43 espécies, sendo que seis constam na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção (MMA IN 03/2003): tatu-canastra(Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), gato-maracajá (Leopardus wiedii), onça-pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura brasiliensis) e peixe-boi (Trichechus inunguis).

Em parte, essas reduções foram criadas devido aos compromissos com os interesses políticos locais, com os médios e grandes pecuaristas da região e, ainda, com as empresas madeireiras, provocando, ao longo dos anos, esses “recortes” crescentes da área original. Todas as exclusões fazem parte do mesmo complexo ecológico e também integravam a área de ‘muito alta importância para a conservação’ (identificada pelo MMA em 2006), sendo que seu uso diferenciado e predatório pode fragilizar a integridade ecológica e a sustentabilidade econômica da região.

ISA,
Silvia de Melo Futada e Luca Fanelli (colaborador MAIS/ISA).

 


Notícias socioambientais :: Socioambiental

Governo decreta Resex Renascer depois de um ano sem criar novas unidades de conservação

[15/06/2009 10:44]

 

Com extensão de 211.741,37ha, em Prainha, no Pará, a nova Reserva Extrativista soma com as demais criadas anteriormente – Monumento Natural (Mona) do Rio São Francisco (BA/SE/AL), Resex Prainha do Canto Verde (CE) e Resex Cassurubá (BA) –, cerca de 372.000 ha de novas áreas protegidas cuja meta é conciliar o uso tradicional e não predatório com a conservação da biodiversidade e paisagens associadas.

A reivindicação de criação de uma Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável na região data de mais de seis anos, tendo sido iniciada por um processo aberto pelo Conselho Nacional dos Seringueiros, finalizado pelas lideranças da região, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e pela Colônia de Pescadores de Prainha.O mais recente povoamento da região começou na década de 1920, em decorrência da exploração da borracha, da castanha do pará e da juta; os migrantes consolidaram sua presença desenvolvendo uma rica e profunda relação com o ambiente. Inicialmente, a área que hoje constitui a Resex Renascer, fazia parte da proposta para a criação da Resex Verde para Sempre; porém, ao criar esta em novembro de 2004, com 1.288.720ha, o Governo Federal excluiu a área da atual Renascer, pois a grande extensão da Resex criada deu ainda mais visibilidade à questão, aumentando as pressões contrárias do poder local.No fim de 2006, em um dos últimos atos de seu mandato, Simão Jatene (PSDB), o então governador do Pará, decretou a criação de uma Floresta Estadual sobreposta à área requerida para Resex. O ato, entretanto, foi impedido por uma liminar de 2006 confirmada pelo Ministério Público Federal em meados de 2007, que argumentara que tal criação seria um ataque ao modo de vida das populações tradicionais da região, privilegiando um modelo de exploração predatório da floresta amazônica.A consulta pública de apresentação dos estudos técnicos para criação da Resex Renascer, último ato administrativo necessário para sua criação, ocorreu em dezembro de 2007 e desde maio de 2008 o processo estava parado na Casa Civil – onde também adormece em profundo sono o processo de criação da Resex Baixo Rio Branco Jauaperi(RR), de 2001. A Resex Renascer situa-se na área de influência da BR-163, sendo alvo de dinâmicas de ocupação que ocorrem simultaneamente em todo o oeste paraense. Assim, além do interesse minerário na região sul da Resex, a grande demora na criação deve-se às pressões do setor madeireiro, que opera ilegitimamente na região desde 2000. Tal setor priva a população local de valioso recurso econômico, prejudicando os ecossistemas fluviais, ameaçando a população local e, de fato, polarizando e radicalizando o antigo e latente conflito entre os extrativistas e a classe de grandes pecuaristas locais.O Estudo Socioeconômico da Área Proposta para Criação da Reserva Extrativista Renascer (Prainha / PA), propôs, para criação da Resex Renascer, extensão próxima do dobro com que esta foi criada: 414.274 ha. Essa redução entre a área criada e a reivindicada pelos extrativistas fez com que estes perdessem espaços tidos como essenciais para as atividades econômicas locais, como a várzea na margem direita do rio Amazonas, de extrema importância para a manutenção da biodiversidade, das relações sociais e econômicas dos extrativistas – e um vasto trecho ao sul, de grande riqueza de recursos florestais. A delimitação da Resex excluiu também 1.766 ha no noroeste da área, de ocupação consolidada por fazendas.Diante disso, além de tudo o que foi mencionado, a relativa exclusão do município das políticas públicas e também da ação de instituições não governamentais traz um grande desafio à população: organizar-se localmente e continuar a desenvolver suas habilidades para produzir alimentos de qualidade (piracui, mel de abelha nativa, beijus) e artesanato.

Por meio de decreto publicado Diário Oficial de 8 de junho passado, o Presidente Lula criou, no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), a Reserva Extrativista Renascer. Situada na bacia hidrográfica do Xingu e predominantemente formada por uma tipologia fitofisionômica definida como Floresta Ombrófila Densa, a área da Resex Renascer foi identificada, no processo de “Atualização das Áreas Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira”(Ministério do Meio Ambiente – MMA 2006), como sendo de muito alta importância para a conservação. O Estudo Ambiental necessário, conjuntamente com o Socioeconômico, para a caracterização socioambiental, o reconhecimento da comunidade interessada como população tradicional e a legitimação de seu uso do território, realizado em 2005, identificou como algumas das espécies presentes, a castanheira (de grande abundância na região), o angelim-vermelho, a muiracatiara, a maçaranduba, o mogno, o cedro, maparajuba, o açaí e o buriti. Da grande variedade de peixes, o pirarucu, o tambaqui e o surubim são alguns dos mais importantes na alimentação dos moradores. Dentre os mamíferos, listam-se mais de 43 espécies, sendo que seis constam na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção (MMA IN 03/2003): tatu-canastra(Priodontes maximus), tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), gato-maracajá (Leopardus wiedii), onça-pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura brasiliensis) e peixe-boi (Trichechus inunguis).

Em parte, essas reduções foram criadas devido aos compromissos com os interesses políticos locais, com os médios e grandes pecuaristas da região e, ainda, com as empresas madeireiras, provocando, ao longo dos anos, esses “recortes” crescentes da área original. Todas as exclusões fazem parte do mesmo complexo ecológico e também integravam a área de ‘muito alta importância para a conservação’ (identificada pelo MMA em 2006), sendo que seu uso diferenciado e predatório pode fragilizar a integridade ecológica e a sustentabilidade econômica da região.

ISA,
Silvia de Melo Futada e Luca Fanelli (colaborador MAIS/ISA).

 

Pesquisa e ação para o desenvolvimento

ricercazioneDurante o XXX Congresso Internacional de Americanística, Perugia (Italia), 6-12 maio de 2008, na mesa redonda Amazônia. Estado da arte das pesquisas a campo, foi amplamente discutida a problemática da relação entre pesquisa, notadamente humanística, e mais precisamente antropológica, e projetos de desenvolvimento, de forma geral, mas sobretudo não governamentais.

Em resumo, foi colocada, por um lado, a interdependência, forte de um ponto de vista epistemológico, e necessária, de um ponto de vista prático, entre pesquisa e ação; por outro lado, a separação entre “atores da pesquisa” (universidades em primeiro lugar) e “atores do desenvolvimento” (ong em primeiro lugar) (permita-se o uso da palavra desenvolvimento, por causa da difusão dela, mesmo que o seu sentido precise ser problematizado).

Leia um relato do debate (em italiano).

A partir daí, procuramos ampliar este debate, envolvendo profissionais com experiência nesta área de limite, a partir destas perguntas orientadoras:

1.a) Você compartilha a opinião que, na prática, os atores da pesquisa e os atores do desenvolvimento agem de forma separada?

1.b) Ao que é devida esta separação?

1.c) Mais especificamente, esta separação é causada por diferentes olhares sobre o mundo, por práticas diferentes, ou por motivos institucionais (as instituições de pesquisa se formaram em âmbitos e tempos diferentes, do que as organizações não governamentais)?

2) Uma das questões que se põe, no bojo deste debate, é a relação entre equilíbrio e a mudança. Quanto mais avalia-se que uma sociedade ou um grupo está em equilíbrio (interno e/ou externo), quanto menos a atitude junto à este grupo é voltado à mudança, e vice-versa.
Os atores da pesquisa e os atores do desenvolvimento posicionam-se com respeito à esta díade (equilíbrio/ mudança) da mesma forma, ou de formas diferentes?

3) Têm um consenso a respeito da questão que sempre a pesquisa é ação (cada ato é político). Pode se afirmar o contrário, ou seja, que a ação é pesquisa? Se sim, quais exemplos têm a este respeito?

5) Qual é a experiência da relação entre pesquisa e ação na Sua organização?