Patrimonizalização de um sistema de produção agrícola

Na última semana de agosto aconteceu a VIII edição da Feira de Sementes do Vale do Ribeira, organizada pelo Instituto Socioambiental e parceiros em Eldorado (SP), Brasil. Já escrevi aqui em diversas ocasiões desta manifestação, à “fundação” da qual participei.

A patrimonialização do sistema de produção agricola dos quilombos foi assunto de uma das mesas redondas (cfr. http://bit.ly/1Kjf7fU); este processo é muito importante e interessante, visando a valorização de um sistema de produção que está em risco de extinção, quer por pressões externas (principalmente os impedimentos legais ao uso do fogo), quer internas.

Conservação do feijão para o plantio do ano seguinte. Comunidade de Cangume, município de Itaóca (SP), Brasil. Março de 2009. Foto de Luca Fanelli/ ISA
Conservação do feijão para o plantio do ano seguinte. Comunidade de Cangume, município de Itaóca (SP), Brasil. Março de 2009. Foto de Luca Fanelli/ ISA

É relevante que, dos 180 bens imateriais levantados no Inventário Cultural de Quilombos do Vale do Ribeira, o escolhido para avançar no processo de patrimonialização, seja o sistema de produção agrícola tradicional.

O sentido e os desafios da construção do inventário da cultura imaterial dos quilombos do Vale do Ribeira foram o assunto da minha apresentação no XXXVII Congresso Internacional de Americanística (Perugia, maio de 2015). Em baixo os eslaides (em italiano).

Memória de Luzia Fati

Foto di Luca Fanelli/ MAIS. Nov. 2011
A orla de Santarém

Para recordar a bela pessoa da Luzia Fati, que faleceu no começo deste mês de março, reproduzo aqui integralmente uma maravilhosa entrevista, que tive a oportunidade de gravar em Abril de 2007, em Santarém (Pará).

Nesta entrevista, ela reconstrói a trajetória da sua vida e do movimento sindical da região Norte, juntando elementos históricos, uma pontual análise política, e comoventes lembranças pessoais.

A entrevista está dividida em 6 partes.

   I parte – Da infância a juventude, a formação política e pessoal, até chegar na direção do STTR de Santarém (21 min.).

II Parte – Da secretaria de formação do STTR até a direção nacional da CUT

III Parte – Na direção da CUT nacional (1° e 2° mandato), a volta a Santarém, a atuação no ISAM

IV – Ser dirigente sindical mulher, as oportunidades, a relação com a família

V – Histórico e atuação do STTR de Santarém, papel do sindicato, papel político e económico do sindicato, a questão de terra hoje

VI Parte – Ribeirinhos e planalto na história do sindicato, a articulação sindical na região, outros testemunhas, conclusões

Uma breve nota sobre a vida da Luzia pode ser encontrada aqui (site da CUT).

Sobreposição entre áreas protegidas e comunidades tradicionais gera conflito e aproxima Brasil e Angola

Jacinto Wacussanga e Toninho: longas caminhadas para chegar às casas da comunidade
Jacinto Wacussanga e Toninho: longas caminhadas para chegar às casas da comunidade

Representante de ONG angolana visita o quilombo de Bombas, no Vale do Ribeira (SP) e conversa com as lideranças locais sobre as semelhanças e diferenças dos problemas enfrentados por comunidades tradicionais de seu país na relação com as áreas protegidas. A comunidade de Bombas vive dentro de um parque, criado em sobreposição ao território quilombola. Da mesma forma, inúmeras comunidades pastoris, vivem no Parque do Bicuar, em Angola.

Leia a notícia na integra que foi publicada no site do Instituto Socioambiental.